Como escrever H₀ e H₁ corretamente — incluindo a armadilha dos testes unilaterais.
Dominar a formulação de \(H_0\) e \(H_1\), entender a diferença entre testes uni e bilaterais, e saber interpretar corretamente a conclusão de um teste. Essas competências são cobradas em todas as questões da lista.
A hipótese nula é a afirmação de "não efeito" ou "não diferença". É o que assumimos como verdadeiro até que haja evidência suficiente para rejeitá-la.
A hipótese alternativa é o que queremos demonstrar. É a "afirmação da pesquisa".
A escolha depende da pergunta de pesquisa (definida antes de ver os dados):
| Tipo | Quando usar? | Região crítica |
|---|---|---|
| Bilateral | "As médias diferem?", "Há diferença?" | Duas caudas: \(\alpha/2\) em cada |
| Unilateral direita | "A é maior que B?", "Houve aumento?" | Cauda direita: \(\alpha\) toda |
| Unilateral esquerda | "A é menor que B?", "Houve redução?" | Cauda esquerda: \(\alpha\) toda |
"Vi que o tempo do grupo B ficou menor na amostra, então mudei a hipótese alternativa para unilateral."
Isso é proibido! A hipótese alternativa deve ser definida antes de olhar os dados, com base na pergunta de pesquisa. Mudar H₁ depois de ver os resultados é uma forma de viés.
Em testes pareados, a definição de \(D_i\) determina a direção da hipótese. Cuidado!
"A adoção de revisão de código aumentou a cobertura de testes."
Definindo \(D_i = \text{Antes}_i - \text{Depois}_i\):
\(\text{Depois} > \text{Antes}\), logo \(D_i = \text{Antes} - \text{Depois} < 0\)
Portanto: \(H_0: \mu_D = 0\) vs. \(H_1: \mu_D < 0\)
Teste unilateral à esquerda.
Se tivéssemos definido \(D_i = \text{Depois}_i - \text{Antes}_i\):
\(H_1: \mu_D > 0\) — unilateral à direita.
O resultado final é o mesmo, mas a direção da hipótese muda!
Sempre escreva como você definiu \(D_i\) e, a partir disso, deduza a direção de \(H_1\). Não tente "adivinhar" a cauda — deduza-a da definição.
A conclusão de um teste de hipóteses segue um padrão rígido:
Se \(|T_{obs}| > t_{crítico}\) (bilateral) ou \(T_{obs} > t_{crítico}\) (unilateral direita), rejeitamos \(H_0\).
Se rejeitou \(H_0\): "Ao nível de \(\alpha\)%, há indícios estatísticos de que [H₁ em palavras]."
Se não rejeitou \(H_0\): "Ao nível de \(\alpha\)%, não há indícios suficientes de que [H₁ em palavras]."
"Como não rejeitei H₀, provei que as duas médias são iguais."
Não rejeitar H₀ NÃO é o mesmo que provar H₀. Significa apenas que não temos evidência suficiente para rejeitá-la. A ausência de evidência não é evidência de ausência.
| H₀ é verdadeira | H₀ é falsa | |
|---|---|---|
| Rejeitar H₀ | Erro Tipo I (α) | Decisão correta (poder) |
| Não rejeitar H₀ | Decisão correta | Erro Tipo II (β) |
Antes de usar testes paramétricos, verificamos normalidade. A Questão 3 da lista cobra exatamente isso:
O teste de normalidade (ex: Shapiro-Wilk) tem:
Em amostras grandes (ex: n = 800), o teste de normalidade detecta desvios muito pequenos e quase sempre rejeita. Nesse caso, o Teorema Central do Limite (TCL) garante que a distribuição da média amostral é aproximadamente normal, mesmo que os dados individuais não sejam. Use o TCL + análise gráfica (histograma, QQ-plot).