O zumbido constante dos servidores de dados preenchia o laboratório de engenharia no Setor 4 de Coruscant. O tráfego aéreo lá fora pintava listras de luz nas imensas janelas de transpari-aço, mas Jaxen Vane não prestava atenção à metrópole galáctica. Seus olhos estavam fixos nos gráficos holográficos azuis que flutuavam sobre sua mesa de trabalho.
Jaxen era o Engenheiro Chefe de Sistemas de Dados da República. Com a tensão aumentando nas bordas da galáxia, o Senado havia encomendado uma nova frota de cruzadores estelares. O grande dilema daquela manhã envolvia a proteção dessas naves.
A porta do laboratório deslizou com um silvo suave, e Elara entrou. Analista de Sistemas Táticos e parceira de Jaxen, ela trazia um datapad com as últimas especificações de Kuat Drive Yards.
— Jaxen, o Alto Comando precisa de uma resposta até o fim do ciclo. — disse ela, encostando-se na bancada holográfica. — Eles querem saber se vamos equipar os novos cruzadores com o defletor padrão Corellian Mk IV ou com o protótipo experimental de Kuat.
— Não é uma decisão simples, Elara. — Jaxen suspirou, expandindo o holograma com um gesto de mão. — O escudo de Kuat promete suportar um bombardeio de turbolasers por mais tempo antes de colapsar, mas custa o dobro. Precisamos de dados. Precisamos de um teste rigoroso.
Elara assentiu. — Eu posso requisitar naves do esquadrão de simulação. Podemos pegar 20 cruzadores, colocar o escudo Corellian em 10 deles, e o escudo Kuat nos outros 10. Depois medimos o tempo de resistência sob fogo simulado.
Jaxen cruzou os braços, avaliando a proposta. Ele olhou para os esquemas das naves.
— Isso nos daria duas amostras independentes. — ponderou ele. — Mas os cruzadores da simulação não são idênticos. Alguns têm reatores mais antigos, as tripulações de artilharia variam em eficiência... a variabilidade entre as naves pode mascarar a verdadeira diferença entre os escudos.
— Você está sugerindo mudar o protocolo de teste? — perguntou Elara, erguendo uma sobrancelha.
— Exatamente. — Jaxen abriu um sorriso confiante, reorganizando os hologramas. — E se pegarmos apenas 10 cruzadores e testarmos ambos os escudos em cada um? Instalamos o Corellian, bombardeamos e medimos o tempo. No ciclo seguinte, na mesma nave, instalamos o Kuat, bombardeamos e medimos o tempo. Faremos isso para todas as 10 naves.
— Brilhante! — exclamou ela. — Isso anula as diferenças entre as naves, porque estamos comparando cada cruzador com ele mesmo! Teremos dados pareados.
— Precisamente. Em vez de comparar as médias de dois grupos diferentes (\(\mu_1\) e \(\mu_2\)), vamos olhar apenas para a diferença de tempo de resistência dentro de cada par. Nosso parâmetro de interesse é \(\mu_D\), a média das diferenças.
Elara começou a digitar rapidamente no seu datapad, configurando o protocolo tático.
— Muito bem, o teste será pareado. Agora precisamos definir as regras de engajamento para a análise. Como vamos formular as hipóteses?
Jaxen encostou-se na cadeira de couro tático. Aquela era a parte crítica que o Senado julgaria. Se cometessem um erro, os cruzadores da República seriam vaporizados em batalha.
— Nossa Hipótese Nula (\(H_0\)) é sempre a posição conservadora, a de ausência de efeito. O padrão da frota. Então, \(H_0: \mu_D = 0\). Assumimos que o novo escudo não traz nenhuma vantagem média em relação ao Corellian.
— Faz sentido. E a nossa Hipótese Alternativa (\(H_1\))? O fabricante de Kuat alega que o escudo deles dura mais. Isso torna o nosso teste unilateral à direita, correto?
— Correto. Se definirmos a diferença \(D = Kuat - Corellian\), queremos testar se \(\mu_D > 0\). Não nos importa se o Kuat é pior ou igual; se ele não for estritamente superior, o custo extra não compensa e rejeitaremos a proposta de compra.
Elara suspirou, o peso da responsabilidade evidente em seus olhos.
— Sabe, Jaxen, se fixarmos nosso nível de significância \(\alpha\) em 5%, isso significa que temos 5% de chance de cometer um Erro do Tipo I.
— E você sabe o que isso significa na prática, não é? — Jaxen disse, a voz subitamente mais séria. — Significa que se os dois escudos forem iguais na realidade (\(H_0\) verdadeira), ainda assim, devido ao acaso da simulação, os dados podem parecer apontar que o Kuat é melhor. Acabaríamos convencendo a República a gastar trilhões de créditos em um sistema que não salva nenhuma vida extra. É um falso positivo desastroso.
— E o Erro do Tipo II? — ela rebateu. — Se o Kuat for de fato melhor (\(H_1\) verdadeira), mas nossa simulação for ruidosa demais e não rejeitarmos \(H_0\)...
— Então teremos perdido a chance de salvar milhares de clones. Um falso negativo tático.
Os dois ficaram em silêncio por um instante. O holograma girava lentamente, projetando o modelo 3D de um cruzador da República.
— É por isso que precisamos que os dados estejam imaculados, Elara. — Jaxen concluiu, levantando-se. — Inicie as simulações no esquadrão pareado. No próximo ciclo, teremos que fazer as contas com as diferenças de tempo e rodar o Teste t Pareado. A sobrevivência da frota depende de estarmos certos.
— Iniciando simulações táticas. Que a Força esteja com nossos dados.