Dois ciclos planetários depois, o laboratório estava silencioso, exceto pelo bipe suave dos processadores táticos. Jaxen Vane tomava um estimulante de caf amargo enquanto encarava a projeção de um datapad holográfico flutuando sobre a mesa de metal escovado.
Elara entrou na sala, esfregando os olhos cansados, mas carregando um sorriso vitorioso.
— As simulações terminaram, Jaxen. Oito cruzadores completaram a rotina de bombardeio nos dois modos. Temos os tempos de resistência em minutos.
— Excelente. Transfira para a matriz principal. — ordenou Jaxen, deslizando os dedos no ar para abrir a interface do painel.
A tabela de dados apareceu, brilhando em azul pálido:
| Cruzador (Nave) | Tempo Corellian (Y) | Tempo Kuat (X) | Diferença (\(D_i = X - Y\)) |
|---|---|---|---|
| #01 | 42 | 47 | 5 |
| #02 | 38 | 41 | 3 |
| #03 | 45 | 49 | 4 |
| #04 | 40 | 46 | 6 |
| #05 | 48 | 50 | 2 |
| #06 | 41 | 46 | 5 |
| #07 | 44 | 48 | 4 |
| #08 | 39 | 42 | 3 |
— Olhando por cima, parece óbvio. — comentou Elara. — O protótipo de Kuat durou mais tempo em absolutamente todos os cruzadores. A menor diferença foi de 2 minutos de sobrevivência extra, a maior foi de 6.
— Parecer óbvio não é estatisticamente significativo. O Senado não aprova trilhões de créditos no "achismo". Precisamos de rigor. Inicie o protocolo Teste t Pareado.
Jaxen começou a ditar os cálculos enquanto a interface os processava quase instantaneamente.
— Primeiro, a média das diferenças. Temos a soma das diferenças, que é 32, dividida por 8 naves. A média amostral, \(\bar{D}\), é 4,0 minutos.
— Calculando o desvio padrão das diferenças agora, \(S_D\). — Elara manipulou os dados. — Os desvios em relação à média são 1, -1, 0, 2, -2, 1, 0, -1. A soma dos quadrados é 12. Dividindo por \(n - 1\), que é 7, temos a variância. A raiz quadrada nos dá um desvio padrão de aproximadamente 1,309.
— Muito bem. Qual é a nossa estatística de teste?
Elara sorriu, a resposta já pronta na ponta da língua.
— Para achar o \(T_{obs}\), dividimos a média amostral pelo erro padrão da média, que é \(S_D / \sqrt{n}\). Então temos 4,0 dividido por (1,309 / \(\sqrt{8}\)). Isso nos dá um \(T_{obs}\) enorme: 8,641.
Jaxen assentiu, mas não relaxou a postura. Ele puxou a tabela de distribuição t de Student projetada em holograma vermelho.
— Nosso nível de significância \(\alpha\) é 5%. Lembre-se do nosso desenho: é um teste unilateral à direita, porque só queremos aprovar se o Kuat for melhor (\(\mu_D > 0\)). Quantos graus de liberdade temos?
— Como temos 8 pares, os graus de liberdade são \(n - 1 = 7\).
— Exato. Consultando a tabela t para 7 graus de liberdade e 5% em uma única cauda... o valor crítico é 1,895.
Os dois ficaram em silêncio por um longo momento, observando a curva do gráfico de sino holográfico. O marcador do seu \(T_{obs}\) estava tão à direita que quase saía da tela tática.
— Rejeitamos \(H_0\). — sussurrou Elara, os olhos brilhando. — Ao nível de 5%, a evidência é esmagadora. A chance de observarmos uma diferença de 4 minutos puramente por acaso é mínima. O escudo Kuat é genuinamente superior.
— É o que vou reportar ao Senado. O Kuat custa o dobro, mas esses quatro minutos extras de sobrevivência sob fogo inimigo permitirão que a hiperpropulsão reinicie. Vamos salvar naves inteiras com isso.
Jaxen assinou o relatório com sua chave biométrica e enviou para o Alto Comando. O caso estava encerrado.
Mas, antes mesmo de Elara conseguir desligar os servidores de simulação, o comunicador de Jaxen apitou, projetando o emblema do Almirantado Republicano. Uma nova missão de dados havia chegado.
— Problemas? — perguntou ela.
— Sempre há problemas. O esquadrão tático em Kamino testou duas novas armas independentes e precisam saber qual aprovar. O desvio padrão de fábrica delas é conhecido...
Elara bufou, já chamando a interface holográfica de volta.
— Amostras independentes com variância populacional conhecida? Parece que é hora do Teste Z.